sábado, 23 de dezembro de 2017

Colocando sentido.

"Estou vivendo em um limbo, escuro porém aconchegante, onde observo várias janelas distantes com as mais diversas paisagens. Mas olho tentando escolher em qual delas quero morar.

- Não viva em nenhuma, apenas as observe e absorva o melhor de cada uma"


♠ Conversa entre Emilys ♠

terça-feira, 27 de junho de 2017

Muita gente achava que a junção era "Evil Lilith"

Essa imagem acima eu fiz quando estava descobrindo o Photoshop e ganhei meu primeiro computador, com meus 16 anos... Irá fazer 10 anos já, minha nossa... Mas enfim

Quando entrei na Subcultura Gótica, vi que todo mundo desse meio usava um nome sem ser o real name ou dava uma adaptada pra ficar algo mais "dark". Eu entendo que é uma forma  de você dar vida a esse lado que tu acaba descobrindo existir em você. Lógico que no começo tudo é muito trevoso, darkness, from_hell_666 mas alguns nomes realmente ficam.

Dando voltas pelo YouTube, lá nos meus 15/16 anos, descobri uma banda chamava Theatres des Vampires. E a primeira música que ouvi deles foi uma maravilhosa música chamada "Lilith Mater Inferorum" (vide link https://www.youtube.com/watch?v=RQjyIw-vG8U). Gente, que música maravilhosa... É mais hino que Bela Lugosi's Dead pra mim (goth 80' que não me vejam escrevendo isso). Fui linda e maravilhosa ver quem era Lilith e olhar a tradução da música.

Bem, a música, resumidamente, é um hino a mãe inferior, Lilith, que irá confrontar os cristãos usando seus filhos do mal.

Caramba, como que eu ia gostar de uma música dessas, se eu era cristã? (E eu era super fã de Cradle of Filth, diga-se de passagem). Deixei isso de lado e adotei o nick de Lilith no Orkut. Porém, logo minha mãe também foi pro Orkut e não curtiu muito o meu nome. Mas eu gostava MUITO dele, o que eu podia fazer?

Eu sempre gostei de dualidade, de opostos. Bem e mal, bom e mau, luz e trevas, sol e lua e por aí vai. Não lembro como cheguei a isso, mas fiz o seguinte:

O mito de Lilith diz que ela foi a primeira mulher criada, juntamente com Adão. Não pela costela e sim também, do barro. Porém, Lilith não aceitava ser submissa a Adão (principalmente na parte sexual) e por conta disso, ela foi expulsa do Paraíso - em outras versões, dizem que ela saiu por conta própria. (Tem muito mais sobre Lilith, mas falarei disso outro dia)
Após a partida dela, Deus fez Eva, a partir da costela de Adão para simbolizar que era carne de sua carne e assim sendo, submissa (mas vejo o simbolismo da costela com algo para ser andado lado a lado, não submissão, mas enfim).

Aí está minha dualidade. Fiz um jogo de palavras com os dois nomes e ficou Evith A'Lil (Evith A'Lil). Ah sim, era uma época em que eu estava APAIXONADA pela Irlanda (ainda sou) e via muitos nomes como O'Brien então aproveitei pra fazer esse joguinho de palavras e usar um apóstrofo XD

Eva não foi totalmente inocente. A "culpa" de termos a ciência do bem e mal e por morrermos, é dela. Mesmo na inocência, ela também tinha sede no saber, e acabou cedendo a tentação. E Adão... Que homem fraco ele era... Não aguentou ficar por baixo de uma mulher a ainda culpou a outra. E ainda mais! Culpou ao seu próprio Deus ao dizer "foi a mulher que Tu me destes..."

Eva e Lilith sempre habitaram em mim. Sou descendente de Eva e levo os ideais de Lilith, na questão de liberdade. Fui criada para ser uma Eva mas a Lilith sempre gritou para sair. Hoje, as duas caminham calmamente dentro de mim. Suas divergências foram acalentadas no meu coração, há espaço para ambas.

Iniciando...

Bem, não sei se terei disciplina para me manter por aqui mas espero conseguir usá-lo como material de estudo.

Minha mente se abriu. Não me denomino, ainda, como pagã. Mas algo aqui dentro aumentou e foi minha sede de conhecimento.

Eu cresci em uma família (tanto do pai quanto da mãe) cristã. Inicialmente católica e depois, evangélica. Ainda na católica, fiz catecismo, primeira comunhão, me vesti de anjinho nas caminhadas (das quais não lembro mais o motivo delas...), enfim, participativa. Com 12 anos, visitei a igreja evangélica que meus tios/padrinhos frequentavam e amei. Tinha ficado numa sala de chofens, fiz umas amiguinhas... Enfim, criança faz amizade muito rápido. Quis mudar de religião (minha mãe também gostou muito). Assim que começamos a frequentar. Começaram as tais lutas...
Primeiro eu me envolvi com uma menina (homossexualismo é mal visto no cristianismo) e minha mão lutou muito para que isso não fosse pra frente. Ela lutou por um ano e venceu.
Nesse meio tempo, entrei de cabeça no mundo gótico (Nightwish estava no mainstream da MTV  - sei que não é gótico - e fui pesquisar sobre, me identifiquei e vivi uns aninhos de trevosidades. Tudo preto e até pancake e lágrimas negras, meu namorado da época adorava). Minha família odiava. (Ainda sou gótica, eu me identifico muito no estilo, mas hoje sou menos trevosinha.)

Por minha família, digo a da minha mãe que meu pai sempre foi meio "fora de cena".

Comecei a ir pra igreja obrigada. Cresci com a ideia de que eu deveria casar virgem e minha mãe nunca conversava sobre sexo comigo. Acabei procurando saber sozinha e, como minha mãe dizia, eu realmente podia dar aulas pra ela (ela sempre foi bem recatada quanto a isso). Perdi minha virgindade aos 15, não contei para minha mãe mas ela descobriu alguns anos depois. Não ficou nada feliz.

Aos 16, na igreja em que eu frequentava, comecei a fazer aulas de novos membros e batismo (no catolicismo, se batiza quando nasce. No protestantismo, se batiza quando tu achar que deve batizar). Fui fazer. Me decepcionei.
Dos 13 aos 16 eu simplesmente não tinha amigos na igreja. As pessoas tentavam se aproximar e eu acabava as repelindo. Os colegas que eu havia feito de início, se dispersaram ou eu simplesmente parei de andar com eles... Não queria ir pra sala dos jovens, preferia ficar com a minha mãe, de cara fechada e lutando contra o sono, pois frequentávamos no domingo de manhã (e era na época da internet discada, ou seja, eu virava a noite no Orkut e tinha de levantar às sete da manhã pra ir pra igreja).
Mas ao contrário dos adolescentes que são obrigados a ir para a igreja, eu não odiava Deus. Eu só não gostava de acordar cedo e ir para um lugar no qual eu me sentia deslocada. No qual, todo mundo não entendia como eu ainda podia ser gótica mesmo frequentando semanalmente os cultos. E eu não me sentia deslocada. Eu me sentia bem, me sentia bonita, tinha meus limites religiosos.
Diziam que, ou eu só podia namorar meninos de dentro da igreja OU que levasse o namorado do mundo para a igreja. E eu levava. Mas eu mal dava exemplo de cristã, como poderia converter alguém?

(CRISTIANISMO NÃO É ALGO RUIM. CRISTO FOI LINDO, MARAVILHOSO. O QUE ESTRAGA É O FANDOM E ESSA COISA DE QUEREREM QUE TU ENGULA AS COISAS SEM QUESTIONAR. SER HUMANO VIROU UM SER QUESTIONÁVEL DESDE A MAÇÃ DE EVA)

Algumas músicas tocavam fundo no meu coração, eu chorava horrores, queria tanto sentir a presença... Mas achava que não sentia por estar fazendo coisas erradas. Fiquei muito tempo me sentindo horrível por dizer que seguia uma coisa sem realmente seguir... Como eu poderia me dizer evangélica se eu praticava sexo regularmente? Se eu gostava de coisas escuras? Se adotei o nick de Lilith? Passei a dormir muito mal, ou dormia muito tarde. E minha mãe vivia dizendo pra eu orar, que era perturbação de nem lembro mais o quê.

Eu não a culpo. Ela tinha uma fé linda, ela cria sem questionar e era muito recompensada. Mas eu não tinha essa fé inabalável, sempre murmurei, sempre questionei e ela não tinha muita paciência com isso. Eu a entendia, eu tentava, MESMO! Mas meu espírito sempre criava intriga com minha razão. Eu não queria seguir aquilo. Eu não concordava com todas as doutrinas. Eu entendia o motivo delas terem sido criadas porém não as achava mais necessárias. Olha que coisa para se passar pela cabeça de uma crente...

Aprendi que o que estava fora da igreja, era MUITO errado. Que qualquer outra religião, era ruim. Paganismo então, nem se fala... Mas sempre teve algo adormecido de magia, dentro de mim... Mas nunca fui muito a fundo porque eu percebi que poderia ser um caminho sem volta para a crença na qual eu cresci e lutava para que fosse a que eu viveria para sempre nela...

Então, aos 21 anos, me batizei. Fiz a classe com uma prima da qual eu nunca gostei. Antes eu achava que era ciúmes por eu ter perdido o posto de "única netA" mas com o passar do tempo, percebi que era algo maior... Chegou o dia, eu namorava já com meu atual marido, ele estava presente junto com o resto da minha família. Fiquei ansiosa como fico com qualquer coisa nova. Estava ansiosa com o que eu sentiria, como eu reagiria... Seria o pastor que eu mais gostava que me batizaria e então... Não prendi direito minha respiração e quase ma afoguei numa piscina de nem 1,60 XD

Não senti o que achei que sentiria. Eu realmente quase morri pra vida velha pra entrar na vida nova. Mas não senti nada. Não senti a alegria que eu achei que fosse sentir. A vontade de chorar, um manifesto de calor... Nada. Nada.

Quando terminei de ler o Filho do Fogo do Daniel Mastral, eu me emocionei muito mais do que no meu batismo.

Um mês depois, engravidei. Mas só descobri no 4º mês. Foi a decepção da família. Nunca quis ser mãe e foi pior ainda por saber que a família reagiria de forma ruim. Meu marido sempre quis ser pai e, se não fosse a família dele, eu realmente não sei se eu teria continuado a gestação. Meu pai se tornou mais presente, foi legal. Minha mãe estava doente, ficou muito triste, MUITO, mas ela engoliu o desprezo e fez o que qualquer avó faria.

Na melhora em que ela teve antes de ir embora, ela saiu comigo, comprou roupas para mim, para o meu filho... Ela queria uma netA mas eu queria que fosse menino. E veio menino. E fiquei mais triste ainda porque achei que ela o odiaria mais ainda por ser meninO. Se odiou, ela escondeu bem. Chamava de "meu netinho" e tudo.

Em março, entre 8 e 9 meses, casei no dia 7. Perdi minha mãe no dia 23 e ganhei meu filho no dia 29. Rapaz... Que mês...

Fiquei 4 meses no limbo, mal me lembro do que aconteceu nesse meio tempo. Lembro apenas de uma coisa:

"'Eu odiava ser mãe. Ainda odeio. Mas eu estava com muito ódio do meu filho. Eu não o queria. Eu queria dormir, queria sofrer por ter perdido minha mãe. Não queria viver para outra pessoa. Só queria ficar triste. Queria morrer. Queria que ele morresse.'
Eu estava pensando nisso em uma das vezes, pouco tempo depois dele ter feito 1 mês, em que ele acordou de madrugada pra mamar. Eu não dormia bem, claro, ele acordava de 3 em 3 horas pra mamar. as ele sempre foi bonzinho, mamava e logo dormia. Mas dessa vez ele não dormiu.
Eu estava chorando de raiva e pensando tudo aquilo enquanto ele estava de bruços no meu colo. Ele simplesmente ergueu a cabeça e ficou me olhando. E foi aí que caiu minha ficha de que eu realmente o amava, que ele era meu, que foi meu presente pra que eu soubesse o que fazer da minha vida após perder minha mãe."

Acho que o luto só foi me deixar completamente após 2 anos da sua morte.


E então, algo mudou aqui dentro. Tudo mudou. Meus pensamentos, minha forma de enxergar as coisas... Eu sempre fui uma alma livre, porém eu me continha muito pela minha mãe. Ou ela que me continha, na verdade.

Parei de frequentar a igreja. Cheguei a ir uma vez quando meu filho estava com 2 meses (já faz 2 anos isso) mas não fui mais... Eu ainda estava muito magoada por ter perdido minha mãe e não queria me forçar a nada... A família por parte dela meio que se afastou, parei de procurar e enfim, estou aqui.


Mas o que realmente me inclinou a procurar saber mais sobre "os outros deuses" foi por conta de uma coisa: participei de um ritual, Samhain.
Quer dizer, eu fui. Não sei dizer se eu participei MESMO. Fui mais como espectadora do que como participante. Me segurei bastante porque fiquei com receio de ver algo do qual eu não soubesse explicar. Sempre bloqueei esse meu lado mais sensitivo por não entender realmente o que era, então me fechei bastante pra muitas coisas.
Mas eu me senti bem. Eu não sou muito de falar mas gosto de demonstrar de alguma forma. Nem que seja num abraço e, uma das meninas que estavam lá disse que sentiu uma energia muito boa no meu abraço. E eu fiquei muito mas MUITO feliz com isso.


Novamente, não sei se terei disciplina para aprender algo novo, com tantas minucias... Aos pouquinhos eu vou aprendendo e me moldando.
Não estou deixando de lado o Deus que cuidou tão bem da minha mãe: estou apenas colocando mais cadeiras na minha extensa mesa de jantar para que possamos conversar todos sobre o significado da vida.

Que assim seja, assim se faça, Amém.